"Dá um medo filho da puta: ser feliz, medo de amar, medo de ser bom. Tudo que faz bem pra gente, a gente tem medo…"

— Cazuza

Tenho fama de não me importar com nada. Sorriso no rosto, copo na mão, trocadilhos infames. Cara de quem não presta. Tipinho classe-média que tá com a vida ganha e não tem com o que se preocupar. Não mesmo. Nunca passei por dificuldade, nunca perdi ninguém próximo, nunca sofri. Isso foi esfregado na minha cara todas as vezes que ousei reclamar de alguma coisa, como se quem não vive num inferno não tivesse permissão de falar absolutamente nada sobre sua vida. Mas taí uma novidade: eu me importo pra caralho. Eu gosto de verdade. Eu me envolvo. Eu sofro, eu choro, eu grito. Eu sou real. Não existe esse mundinho perfeito de diversão o tempo inteiro. Não é só porque existe gente pior do que você que qualquer dor deva ser menosprezada. Não julgue. Não se julgue. Não me julgue. 

tale of me

All my strength is just a way to disguise my fear of failure. I’m afraid of not being enough, of not get enough, of never be loved. I’m afraid of wake up someday and realize that I’m still the same immature child but it’s too late to change it. I’m afraid of always belong to someone else. I’m afraid. I wish I could take care of myself. I wish I don’t put all my expectations in some kind of savior. I wish I could be so independente than how I look.

no branco da areia
nas suas pernas brancas
há mar
amar

Rafael

E chega mais um 4 de junho (e sim, eu aprendi que é 4 e não 6). Hoje é aniversário de uma - eterna - criança que não só fez parte da minha infância como me acompanhou no meu crescimento, pessoal e literário, aguentou minhas crises (e não foram poucas) e continuou do meu lado apesar de todas as chances de me deixar pra lá e viver sua vida sem essa maluca. Queria te desejar um feliz aniversário, pedir desculpas por não ter te dado o abraço que eu te prometi por anos quando eu tive a chance e por estar tão ausente nos últimos tempos. Te amo, Rafael. Rafael, não Rafah, afinal, esse homem de 20 anos não é mais o mesmo guri de 8 que fazia montagens com sabres de luz. Continua sendo essa pessoa tão amada, tão paciente, feliz e talentosa que você é. Te (re)vejo em 5 meses, Rafinha. Se cuida e cuida desse mulherão que tu arrumou (orgulho :’). 

Fica calmo que o que é nosso tá guardado, bebê.

Você abala minhas estruturas. Entra sem bater, bate sem pensar, destrói tudo a sua frente. Bagunça o que demorei uma vida pra arrumar. Troca tudo de lugar, inverte minhas verdades, liberta meus segredos, derruba o meu muro. Você vem e me vira de cabeça pra baixo, me deixa louca, me faz pensar, discutir, gritar. Você me incita. Você me excita.  

Vestígios de uma noite de sábado

A tampa de uma longneck
Cinzas de cigarro
Um coração em mil pedaços

Insaciável

Uma boca quente percorre meu pescoço, meu colo, meus seios. Afasta, volta, afasta. Mete, tira, mete, vira. Mete, mete. Gozou. Sai de cima, deita do lado, extasiado. Um sorriso bobo na cara, sua mão no meu cabelo, aquele cheiro de sexo pelo quarto. Mas peraí, já? É só isso? Trepou, gozou dormiu?

Não, bebê, assim não dá. Assim não funciona. 

Me viro, fico por cima, aquele velho ritual: boca, boca, peitos, boca, boca, barriga, boca, quadril, língua, virilha, garganta, pênis. Voilà, vivo novamente. Essa é a vantagem de ser jovem, cinco ereções por hora. Dessa vez é diferente: quero aquilo na minha cara, na minha boca, no meu colo. Quero sentir a porra quente em cima de mim, quero ver aquele macho dominado, tratamento VIP. 

Aí a noite acaba. Consegui o que queria, dois, três orgasmos. Amanhã tem mais. 

Mas não basta, nunca basta.

O meu problema, meu caro, não é o sexo. Nunca foi. Não sei se pela precocidade do meu envolvimento ou se uma simples característica pessoal, mas nunca tive complicações com isso. Os problemas começam com o que vem depois.

Era uma manhã de domingo, daquelas que sua única ambição é passar o máximo de horas possíveis na cama. Acordo com uma perna em cima da minha. Estranhamente confortável. Me viro de costas e dou de cara com ele, apagado, com a expressão angelical de quem estava no lugar certo e na hora certa. Encosto meus lábios na boca entreaberta e ele acorda, sorrindo.

Então eu percebi. 

De novo.

De novo, Camilla? De novo. 

Pela - sei lá, quadragésima - vez, lá estava eu, manhã de domingo, apaixonada. Totalmente apaixonada. Do tipo que faria as malas e se mudaria pra Malásia pelo cara. Do tipo que faria todas as músicas do Cazuza parecerem absurdamente sãs. Essa sou eu, quando essa porra desse cupido me atinge. E como se não bastasse essa obsessão doentia toda vez que alguém vem pra ficar, isso tem que acontecer com uma frequência absurda.

Sequência clássica da Camilla:

Beijo apaixonado, sorriso bobo, paixão alucinante, drama desnecessário, lágrimas, move on.

A fase move on é engraçada. Passo meses (uma vez durou exatos 18) louca por alguém mesmo sem ter nada com a pessoa, aí depois de mil conversas comigo mesma (já sei que ele não vai seguir o script, então nem tento mais), desisto. Sigo em frente. Nessa seguida, vem a lista: 8, 9 caras de uma só vez. Um atrás do outro. Alguns até no mesmo dia. Todo beijo com aquele gosto amargo de puta-que-pariu-eu-odeio-fazer-isso. Aí para. As vezes dura alguns meses, mas normalmente só umas semanas. E vem a Guerra Fria. Meses, até anos sem ficar com ninguém, um beijinho sequer. 

Aí aparece outro e voltamos à sequência clássica.

Todo esse ciclo pra chegar a conclusão de que eu não sei amar. Não sei viver. Só sei me magoar e me lotar de dúvidas e dramas e neuroses. Sou pura bagunça.

E apesar de toda essa merda, espero que um dia apareça alguém paciente o bastante pra me ajudar a (me) arrumar.

Não nega.
eu vejo nos teus olhos
eu ouço no teu peito
eu sinto no teu abraço
Não foge.
eu te busco
eu te pego pelo braço
eu te protejo
Não mente. 
Não precisa ter medo.